10 novembro 2014

Esta missão que me aquece a alma ♡


Os artistas têm um bónus da Vida, a possibilidade da catarse através da sua Arte!
Muitos de nós, entusiastas, alegres, motivadores, criativos...também o somos porque usufruirmos desse catalisador, tantas vezes autobiográfico, que é podermos viver os nossos dramas, as nossas dores, as coisas que nos rasgam, no palco. É brutal. Uma limpeza e elevação da Alma. Por isso tantos se transfiguram.
Os que me conhecem chamam-me "Menina - Mulher", e foi aqui que me identifiquei com a Gisela!
Ela, detentora de uma avassaladora força que me arrebatou no primeiro concerto que lhe assisti. Não esperava! Tanto! Tudo foi emoção e, como a própria diz, PUMBAS!! Fez-se o click, o meu flamenco ouviu-a e disse-me "Pst, pst...hey, tu aí, que me andas a emprestar ao Fado, vai começando a imaginar...porque vais coreografar para ela!".
Saí daquele concerto cheia e feliz! Acredito, como lema de vida, naquela doçura feroz, naquela genuinidade com picardia, naquela humildade confiante, naqueles saltos altos que se descalçam...! Fui para casa e estive a ouvi-la em loop (acho que já vos tinha dito que sou um bocado sôfrega a ouvir as músicas que gosto!), não soube logo em que conceito iria trabalhar aquela ideia, nem que tema iria escolher, mas houve especialmente um que me prendeu, o Maldição, talvez por ser um fado Cravo e eu estar à época a coreografar um para outro projeto, talvez porque a interpretação dela, nessa noite, nesse tema me tenha tirado os pés do chão, talvez pelo poema, talvez porque precisasse de "dizer aquilo"... Não sei.
Guardei-a, a ideia, sem um futuro certo!
Meses depois, fui ouvir a Gisela novamente e, desta vez, calhou conhecê-la e alguém me dizia "vai falar com ela!" e eu, no meu lado "menina", tímida e sem nada muito concreto para lhe dizer, hesitei...mas lá fui! Perguntei-lhe se gostava de flamenco e disse-lhe que um dia gostava de coreografar um tema seu, o Maldição saiu-me sem pestanejar e ela disse " Ui, logo esse!".
Até hoje não sei se era de "temer" aquela afirmação, mas o meu lado "mulher" arriscou! E outros tantos meses depois, aqui está a minha visão dançante deste tema tão gigante! Sinto-o assim, simples na forma e dorido e intenso por dentro...
É também o resgate de um baile flamenco mais feminino, que procura outro caminho que não o da competição com a força do homem, porém forte e confiante.
Gisela João é assim a segunda fadista que escolho para representar esta minha necessidade de emprestar o meu baile flamenco ao Fado.
Deixo-lhe a minha homenagem, à sua força que tem o poder de me deixar tantas e tantas vezes em suspenso e estendo-a também a todas as "Meninas-Mulher", todas as Guerreiras, todas as que ousam rasgar-se, não para se destruírem mas para se conhecerem.


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